SÓ TEM PERNA-DE-PAU

     Rio de Janeiro, 23 de Janeiro de 2012.  


     Essa garotada de hoje que gosta de futebol. não tem nem ideia de que o que eles menos assistem é, justamente, futebol. Eu, quando menino, rapaz e já homem feito, joguei bola, também. E sem nenhum constrangimento, digo que era muito bom de bola. Só que, naquele tempo, eu era raquítico, miudinho. E nunca me passou pela ideia tornar-me jogador de futebol. Desde aquela época, o jogador de futebol nunca teve uma imagem de alguém lúcido, bem formado, intelectualizado, enfim, alguém que usasse o cérebro melhor do que os pés. É claro que havia exceção. Raras exceções, no caso. Uma delas era o jogador do Botafogo, Afonsinho. A maioria era pouco letrada, mesmo. Talvez isso explique o porquê deles não se sustentarem financeiramente ao término de seu período profissional como jogador. Temos muitos casos de jogadores que caíram em desgraça, um tempo depois de pararem de jogar futebol. Mas como citei, eu jogava muita bola (em quantidade e qualidade). Daí que, para quem jogou bola como eu, fica muito difícil aturar o futebol que se pratica hoje. O primeiro aspecto negativo que observo nos jogadores de hoje é no fato de que a bola parece queimar em seus pés, o que observamos pela reação deles tentarem se desfazer logo de sua posse. Um outro fato é a violência e a desonestidade com que eles vão numa jogada. Entram mesmo pra quebrar o adversário. E isto fica bem configurado pelo número de contusões a que estão sujeitos. Os times, hoje, quase nunca conseguem repetir a mesma escalação do jogo anterior. Há uma costumeira troca de bolas de cabeça (a popular cabeçada) entre os jogadores das duas equipes no meio de campo, bola vai, bola vem, e nada se define em termos de ataque. Uma outra coisa que me desagrada com frequência (nas poucas vezes em que assisto alguns momentos de uma partida), é um jogador fazer um lançamento de um lado para o outro, sem encontrar um colega ali colocado, e a boa acaba saindo pela lateral. Aí, na mesma hora mudo de canal. E isso se repete em todas as partidas a que me propuser assistir. Um outro aspecto negativo que observo é a baixa qualidade dos comentaristas e repórteres esportivos de futebol. A maioria, com certeza, dos que estão aí, nunca jogou bola. Falam muita besteira e inventam modas. Então, meus amigos, e principalmente os jovens de hoje, eu estou fora dessa. Se pudesse, transformaria o Maracanã num belo pomar. Ou numa bela horta. Lá poderíamos plantar bananas e criar umas galinhas poedreiras e uns porcos bem gordinhos. Que tal??? 

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