SAUDADE NÃO TEM IDADE

    Rio de Janeiro, 07 de Janeiro de 2012.  


    De novo venho fazer abordagem dos tempos atuais com relação aos tempos passados. Mais exatamente entre 1950 e 1970. Nesse período eu era um guri (no início de 1960). E fico pensando como os tempos de hoje são tão diferentes daqueles tempos. Os brinquedos, então, nem pensar. Hoje a molecada tem aos seu dispor um aparato eletrônico que nos deixa babando (no caso os maiores de 50 anos). Computador, celular, iPod, iPad, jogos eletrônicos...e por aí vai. Naquelas épocas, brincávamos muito entre nós. Em conjunto. Era a brincadeira chamada carniça, que consistia colocar um colega encurvado para frente, e os demais executavam várias ações nesse carniça. Algumas dessas eram um pouco vergonhosas para aquele tempo. Havia uma outra brincadeira chamada garrafão, onde era desenhado no chão um traçado imitando um garrafão, mas com duas entradas em suas extremidades opostas e consistia em ficarmos correndo e pulando as linhas e um de nós tentava tocar nos outros que tentavam fugir do seu toque. Caso isso acontecesse, o couro comia. Os demais batiam no que fosse tocado. Havia ainda uma outra brincadeira chamada de amarelinha. Esta era mais dirigida às meninas. Os brinquedos que usávamos eram, por exemplo, pegar uma sequência de latas vazias de Leite Ninho, furá-las em ambas extremidades, enchê-las de terra e atravessar um arame através desses furos, fazendo um comboio de latas para serem puxadas por um cordão. Também havia a brincadeira de se pegar um vergalhão, dobra-lo em uma extremidade numa forma de gancho, pegando uma roda qualquer de brinqedo quebrado e empurrá-la, através desse gancho. Uma outra brincadeira das mais famosas entre nós era o patinete. E esta até hoje existe. Só que totalmente moderna, industrializada, com materiais resistentes e bonitos. E eu não me esqueço dos carrinhos de bilha. Também eram conhecidos por carrinho de rolimãs. Eram usados nas ladeiras da região. E era um tremendo barato, isso. Quantos de nós não nos ralamos no solo, com derrapagens e desequilíbrios dos tais carrinhos. Mas valia à pena. Era uma das melhores de nossas brincadeiras. Acrescento, ainda, a famosa atiradeira, que muitos conhecem como estilingue. Era destinada a matar passarinhos para se comer. Hoje seríamos todos presos, por isso. Os feirantes da área sofriam com muito de nós. As estacas de madeira que eles usavam para armar a barraca onde iriam trabalhar, eram devidamente surrupiadas por nós, para a confecção de pernas-de-pau.E era aquela disputa entre nós para ver quem se equilibrava melhor. Ainda haviam muitas outras brincadeiras entre nós naquela época. Coisa que a garotada e a rapaziada de hoje nem imagina como eram. E uma delas, já destinada aos jovens, era o famoso Hi-Fi. Ou as festas americanas. Estas, consistiam no compromisso de cada um dos participantes levar bebida ou comida. Mas não faltava o som. E isso invadia noite a dentro, onde dançávamos músicas lentas ou rápidas. Alguns denominavam nossos bailes como o baile do engoma-cueca ou mela-saco. Cabe aqui uma explicação para isso: naquele tempo, nós os jovens, não tínhamos essa facilidade que os jovens têm, hoje, de transar (rapazes e moças e vice-versa). Era muito difícil conseguir uma garota para fazer sexo. Então, esses bailes permitia a todos tirarem aqueles sarros nas meninas. E muitos deles assim se aliviavam. Hoje, como sabemos, transa-se com muito mais facilidade e frequência entre jovens. Enfim, eram outros tempos. Para nós, os maiores de 50 anos, eram tempos melhores que os de hoje. Mas, segundo consta, há controvérsias. Cada tempo ao seu tempo, dizem. E é claro que essa disputa sempre existirá entre as gerações passadas e futuras. E isso é o que se chama...viver. 

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