OUTRA REMINISCÊNCIA
Rio de Janeiro, 15 de Novembro de 2011.
Era o ano de 1970. Cursava eu o 2º ano Científico (título daquela época). A aula era de Português, cujo professor chamava-se Cláudio. Era preto, de aproximadamente uns 50 anos, muito voltado para poesias. Possuía uma alegria constante, muito estimulante para fazer com que seus alunos gostassem da matéria que ensinava. A aula seguia normal quando o professor Cláudio apresentou à turma uma questão: quem saberia dizer o que era o termo nenhures? Diante do silêncio geral da turma, o professor insistiu a todos que se manifestassem se soubessem o significado dessa palavra. Nada adiantou. A turma continuava calada, sem que nenhum dos alunos arriscasse qualquer palpite. Foi quando resolvi abordar o colega ao lado (sentávamos em dupla nas carteiras, naquela época) dizendo pra ele que falasse ao Professor o que queria dizer a tal palavra nenhures: 'em nenhum lugar'. No entanto o tal colega recusou-se a seguir o meu palpite, dizendo-me que eu próprio respondesse ao mestre a tal questão. Naturalmente que relutei. Naquela época eu era um menino muito tímido, pouco chegado a manifestações públicas. E nisso, foi criado um impasse entre mim e o tal colega, que não lembro o nome. Só que, com a discussão entre nós, tal fato chamou a atenção do Professor, que aproximou-se de nós, perguntando o que estava havendo. Foi quando o colega, de forma decidida, informou-o que eu sabia o que queria dizer nenhures e estava pedindo a ele que o dissesse ao invés de eu mesmo me pronunciar. Daí então o Professor dirigiu-se a mim, indagando se eu, realmente, sabia o significado daquela palavra. Aí se formou um clima desagradável, haja vista que eu, com a minha timidez, recusei-me a dizer o significado do termo. E nisso a aula ficou tumultuada porque o Professor ficou insistindo para que eu respondesse à questão e eu insistia em não responder. Foi nessa insistência e negação que ele ofereceu-me um ponto para a prova do mês, caso eu respondesse e acertasse a questão. Diante disso, vi-me forçado a me pronunciar. E num rompante de coragem afirmei a ele: "Nenhures quer dizer em nenhum lugar!". Tal não foi a surpresa dele ao verificar que eu estava respondendo corretamente, causando espanto nele e na turma, ao mesmo tempo. E, seguindo com isso pelo interesse de saber como eu sabia o que queria dizer a palavra proposta na referida questão. Formou-se então um outro clima desagradável, quando neguei-me a informar como eu sabia dessa resposta. E aí outro diz não diz formou-se entre mim e o Professor. E ele continuou a insistir comigo para que eu contasse a razão do meu conhecimento a respeito daquela palavra. E eu não tive outra alternativa a não ser fazê-lo. Então, comecei a explicação: "Olha Professor, eu estava em casa lendo um gibi do Cavaleiro Negro..". Quando acabei de pronunciar o tal de "Cavaleiro Negro", a turma explodiu numa gargalhada, que só parou alguns minutos depois. O Professor também riu com aquela minha informação. E depois que cessou a barulhada, concluí a minha explicação: "é que no decorrer da história que se passava no gibi, havia um quadro onde mudava a ação e o local do que se passava na leitura e havia uma palavra dentro desse quadro que dizia: algures, onde apresentava uma outra ação, ainda relativa à mesma história do gibi". Mas o interessante nisso tudo foi o seguinte: por quase uma semana fiquei conhecido no Colégio por "Cavaleiro Negro". Os colegas não podiam me ver sem deixar de encarnarem em mim por causa do tal do gibi do Cavaleiro Negro. Mas ganhei o ponto para a prova no mês
Era o ano de 1970. Cursava eu o 2º ano Científico (título daquela época). A aula era de Português, cujo professor chamava-se Cláudio. Era preto, de aproximadamente uns 50 anos, muito voltado para poesias. Possuía uma alegria constante, muito estimulante para fazer com que seus alunos gostassem da matéria que ensinava. A aula seguia normal quando o professor Cláudio apresentou à turma uma questão: quem saberia dizer o que era o termo nenhures? Diante do silêncio geral da turma, o professor insistiu a todos que se manifestassem se soubessem o significado dessa palavra. Nada adiantou. A turma continuava calada, sem que nenhum dos alunos arriscasse qualquer palpite. Foi quando resolvi abordar o colega ao lado (sentávamos em dupla nas carteiras, naquela época) dizendo pra ele que falasse ao Professor o que queria dizer a tal palavra nenhures: 'em nenhum lugar'. No entanto o tal colega recusou-se a seguir o meu palpite, dizendo-me que eu próprio respondesse ao mestre a tal questão. Naturalmente que relutei. Naquela época eu era um menino muito tímido, pouco chegado a manifestações públicas. E nisso, foi criado um impasse entre mim e o tal colega, que não lembro o nome. Só que, com a discussão entre nós, tal fato chamou a atenção do Professor, que aproximou-se de nós, perguntando o que estava havendo. Foi quando o colega, de forma decidida, informou-o que eu sabia o que queria dizer nenhures e estava pedindo a ele que o dissesse ao invés de eu mesmo me pronunciar. Daí então o Professor dirigiu-se a mim, indagando se eu, realmente, sabia o significado daquela palavra. Aí se formou um clima desagradável, haja vista que eu, com a minha timidez, recusei-me a dizer o significado do termo. E nisso a aula ficou tumultuada porque o Professor ficou insistindo para que eu respondesse à questão e eu insistia em não responder. Foi nessa insistência e negação que ele ofereceu-me um ponto para a prova do mês, caso eu respondesse e acertasse a questão. Diante disso, vi-me forçado a me pronunciar. E num rompante de coragem afirmei a ele: "Nenhures quer dizer em nenhum lugar!". Tal não foi a surpresa dele ao verificar que eu estava respondendo corretamente, causando espanto nele e na turma, ao mesmo tempo. E, seguindo com isso pelo interesse de saber como eu sabia o que queria dizer a palavra proposta na referida questão. Formou-se então um outro clima desagradável, quando neguei-me a informar como eu sabia dessa resposta. E aí outro diz não diz formou-se entre mim e o Professor. E ele continuou a insistir comigo para que eu contasse a razão do meu conhecimento a respeito daquela palavra. E eu não tive outra alternativa a não ser fazê-lo. Então, comecei a explicação: "Olha Professor, eu estava em casa lendo um gibi do Cavaleiro Negro..". Quando acabei de pronunciar o tal de "Cavaleiro Negro", a turma explodiu numa gargalhada, que só parou alguns minutos depois. O Professor também riu com aquela minha informação. E depois que cessou a barulhada, concluí a minha explicação: "é que no decorrer da história que se passava no gibi, havia um quadro onde mudava a ação e o local do que se passava na leitura e havia uma palavra dentro desse quadro que dizia: algures, onde apresentava uma outra ação, ainda relativa à mesma história do gibi". Mas o interessante nisso tudo foi o seguinte: por quase uma semana fiquei conhecido no Colégio por "Cavaleiro Negro". Os colegas não podiam me ver sem deixar de encarnarem em mim por causa do tal do gibi do Cavaleiro Negro. Mas ganhei o ponto para a prova no mês
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