REMINISCÊNCIAS

 Rio de Janeiro, 03 de Outubro de 2011.  

     A Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, há alguns anos atrás, decidiu cercar as praças e desativar muitos dos chafarizes que existem nelas, espalhados pela cidade. A razão disso foi que os mendigos e andarilhos da cidade, faziam muita desordem e bagunça, principalmente nesses chafarizes usando-os para tomarem banho. Um outro motivo de desativação dos mesmos, é a luta que a Prefeitura promove contra os mosquitos da dengue. Daí que é preferível vê-los desativados a correr o risco do local se tornar um foco desagradável desse mosquito e dessa doença, que mata de forma terrível. Mas isso me faz lembrar o meu tempo de menino. Lá pelos 10, até aos 15 anos, ou mais um pouquinho, quando residia em bairro distante do centro da cidade, onde havia muito terreno vazio e muita área livre para brincadeiras. Principalmente as nossas famosas peladas, coisa que hoje já não é tão comum entre a garotada e a rapaziada. Que tempo bom, posso afirmar. Andávamos por aquelas ruas sem calçamento, com valas ao lado delas onde víamos aqueles peixinhos que chamávamos de barrigudinhos. E nós os pescávamos para colocar em nossos aquários (que na verdade eram vidros os mais diversos, principalmente os da maionese) e nos divertirmos a valer. Era comum ver, também, cobras miúdas que também habitavam essas valas e caçavam e comiam esses barrigudinhos. Cansei de assistir a tal episódio. Ficava aí, na beira da vala, assistindo a cobrinha deslizar na água e comer os tais peixinhos. Daí que veio-me à idéia que a Prefeitura poderia usar os tais barrigudinhos, colocando-os nesses chafarizes para que eles comessem as larvas dos mosquitos da dengue. Seria um processo de baixo custo. Esse sistema é muito usado no nordeste, onde as pessoas armazenam água para seu consumo, em cisternas ou locais que fazem para esse armazenamento, colocando lá, as famosas piabas, que são peixinhos maiores do que os barrigudinhos. Nesses tempos de hoje, a garotada não assiste à certas situações pelas quais passamos nós, os maiores de 50 anos e, principalmente, aqueles que moraram em áreas afastadas de um grande centro. Sendo que até as valas que existem hoje em alguns bairros afastados na cidade, possuem as águas tão imundas e impróprias, que até os barrigudinhos não sobrevivem nela. E isso, também, lembrou-me uma outra diversão nossa, naquela época: caçar rãs. Naquela época, saíamos numa turma de três, quatro ou cinco colegas (e, às vezes, até mais), com uma lata com uma vela colada na entrada dela, onde um de nós segurava a lata com a vela acesa, para permitir ao outro colega que se acocorasse (lembram-se desse termo?) na beira da vala para visualizar as rãs que ficavam só com a cabeça fora d'água, e que iam ser capturadas por nós, formando uma fieira (as rãs caçadas iam para ela) de rãs, que levaríamos para a casa de um de nós, onde virariam o que chamamos de iguarias. Elas eram fritadas e colocadas em farofa. E, aí, viravam um tremendo banquete para nós. A garotada de hoje nem imagina como era legal e divertido tais brincadeiras que fazíamos naquela época. Hoje, essas brincadeiras são denominadas pelas pessoas, de programa de índio. E mal sabem elas que tudo era feito de forma tranquila. Não havia a maldade que os jovens praticam hoje em suas diversões. Tempos que não voltam mais! Quem viu e viveu esses tempos, sabem bem o quanto éramos felizes e não sabíamos. Numa outra oportunidade falarei das caçadas de (ou aos) passarinhos. Já sei que arrumarei uma tremenda briga. Mas já vou logo avisando: esse nosso crime já prescreveu. Tem mais de vinte anos que o cometíamos. Ha! Ha! Ha! 

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