OS BONDES ANTIGOS E NOSSAS BRINCADEIRAS

     Rio de Janeiro, 04 de Janeiro de 2012. 


    A Prefeitura anda anunciando que vai retornar com o uso de bondes no centro do Rio de Janeiro. Daí que remeto-me outra vez aos meus tempos de guri. Lá pelos idos dos finais dos anos 50 e início dos 60, o bonde era um transporte muito usado aqui em nossa cidade (RJ). Basicamente a maior parte das pessoas locomovia-se através tesse tipo de transporte. E, naquela época, era uma coisa muito boa e agradável de se usar para deslocamentos para trabalho e passeio. Com o tempo, a Prefeitura foi alterando as características do transporte em nossa cidade e aboliu o uso do bonde. E, para variar, a molecada adorava andar de bonde. E de graça, o que era uma das melhores brincadeiras. De certo ponto no decorrer do itinerário do bonde, já não se precisava pagar a passagem. Então todos aproveitávamos essa facilidade para brincar nos bondes, mesmo contrariando a vontade do condutor e do fiscal, que não gostavam dessa brincadeira. E era como se fosse a caça do gato ao rato. Lembro-me que uma das vezes em que estava brincando de andar nos bondes, na rua dos Romeiros, no centro da Penha, resolvi saltar de costas com o bonde andando. Acabei me esborrachando no asfalto. Perdi o equilíbrio e levei uma baita de uma queda, por pouco não tendo maiores implicações. Isto porque era do conhecimento de todos que, com certa frequência, algumas pessoas se acidentavam nesse tipo de transporte, com ocorrências graves. A ponto de ter tido gente que perdeu pernas e até a própria vida nesses acidentes. Mas, como crianças, nós não atentávamos para a gravidade das nossas artes. E era uma brincadeira muito legal e que todos nós gostávamos de praticar. Também havia uma brincadeira nos trens da Central. Lá era costume andar pendurado nas portas ou então andar na escada do reboque (esta parte ficava no fim do último vagão do comboio. Até mesmo andar no interior da cabine do maquinista era uma coisa muito comum aos bagunceiros. E com frequência os guardas das estações prendiam esses brincalhões. Mas havia um agravante nisso: nenhum dos nossos pais jamais souberam das nossas traquinices. Ainda bem !!!    

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