UM SER DE MUITA CORAGEM E SEM TEMOR DE NADA E NEM DE NINGUÉM

       Em uma outra oportunidade, aqui neste mesmo espaço, fiz referência à pessoa de meu pai, que se vivo fosse, hoje, teria quase 117 anos de idade. E viveu até 84 anos, quando faleceu por doença.

     Com vinte e poucos anos de idade, debandou-se para o Sul/Sudeste do país, a princípio São Paulo e depois para o Rio de Janeiro, onde se estabeleceu e criou família. Ele foi oriundo de uma cidade chamada Lagarto-SE, mais exatamente de um povoado, naquela época, de nome Campo do Brito.      

     Interessante que, diferente de muitos, ele nunca esqueceu seu torrão natal, indo lá com muita frequência, a ponto de ficar na casa de um amigo de mocidade por até três meses, nas idas àquela cidade.

     Quando lá, fazia coisas das quais "até o diabo duvidaria", tal a coragem que possuía. Subia às árvores frutíferas para tirar frutas, ficava nadando de um lado ao outro na barragem da cidade, o que aqui chamamos de represa. Isso já com setenta ou mais anos de idade. Seus amigos até hoje contam suas façanhas nas vezes em que também vou por lá passear.

      Coragem era o seu nome, se é que o podemos considerar assim. Não tinha medo de nada e até nos assustava, seus filhos, com tanto ímpeto. E não há a mínima possibilidade de relatar muitas de suas peripécias de vida aqui neste espaço.

      Diante disso, e em função dessa problemática que passamos com o surgimento desse vírus maldito, sua doença e a implantação dessa quarentena, recordando-me dele naqueles velhos tempos, fico imaginando como seria seu sofrimento nesses dias atuais.

      Com certeza ele faria coro com o Presidente Bolsonaro sobre muitas de suas teses com relação a essa mesma situação. E diria em auto e bom som a todos: "não fui filho de pai assustado!". E, por certo, arrumaria encrenca com muita gente por aí. Felizmente, para ele e para todos, já não mais se encontra entre nós. Ufa!

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