OCUPANDO O CÉREBRO, A MENTE, ESPAÇO E LUGAR NESSES DIAS CONTURBADOS

      Penso já ter feito um registro neste espaço que adquiri um computador numa idade das consideradas avançadas, na casa dos mais de cinquenta anos. E o fiz com intuito de transformar meus antigos Long Plays em versões digitais, modernizando aquele acervo que era de muitos bolachões.

     Mas acontece que ao adquirir um computador, quem o faz tem várias nuances em suas funcionalidades. Uma delas é navegar na internet. Outra é frequentar salas de bate-papos, redes sociais, escrever em blog. E vai por aí afora.

      Todos, ou quase, fazem isso. Comigo não foi diferente. Transformei muitos dos meus LPs em CDs e fiz as demais coisas já ditas. Só que ao descobrir que podia abrir uma comunidade no antigo Orkut, dei início à verve literária. Mesmo que diletante. E não canso de repetir tal afirmação, vez ou outra.

       Tempos atrás até me senti tentado a escrever um livro. Escolhi o tema: a minha própria vida. A minha existência. E cheguei a desenvolver algumas dezenas de páginas. Mas lastimavelmente as perdi quando fiz uma troca de um computador por outro, não me preocupando com aquele teor. 

        Recentemente, há quase uns dois anos, criei um outro blog, o qual dei o título de "CONTANDO AS MINHAS E OUTRAS HISTÓRIAS". Nele desenvolvi algumas do meu tempo de guri e adolescente. Mas não o fiz de forma determinada, sequencial. Uso-o espaçadamente. E escrevo algumas lembranças e passagens dos anos de mais jovem.

        Escrever não é coisa fácil quanto alguns possam pensar. Um escritor tem que dispor de tempo, lugar, vontade, coragem, memória e muita tranquilidade. Estar voltado para isso, sem ter que preocupar-se com coisas mais complicadas como é o viver o dia a dia. Quando não há compatibilidade nessas ações, raramente o rendimento será satisfatório, a ponto de alcançar o conteúdo para a edição e publicação de um livro.

        Fico imaginando os que escrevem muitos livros. Também seus teores. Romances, dramas, comédias, novelas...tantas são as possibilidades, mas que não é tão fácil desenvolvê-las. Porque a imaginação é uma das propriedades mais necessárias para tais misteres.

        Assim é que reconheço minhas limitações. Jamais arriscaria a desenvolver sobre ficção. Sei que possuo facilidades em desenvolvimento de textos, mas quase sempre referentes ao cotidiano. É como se relatasse o que ocorre ao meu e ao redor de todos. Pura realidade. Mas tenho a impressão que a maior parte dos leitores não gosta desse tipo de teor.

        E até nem cheguei a ler muitos livros. Pelo menos tanto quanto gostaria. Por uma série de fatores fui impedido disso. Mas alguns, sim. E os autores de décadas passadas usavam um vocabulário bem rebuscado, a ponto da maioria dos leitores jovens de hoje não conseguirem entender a maioria deles.

        Tenho dois casos sobre isso que justificam minha afirmação. Com o espaço de uns quinze anos, presenteei à duas sobrinhas coleções de livro de Machado de Assis. Nessas respectivas épocas elas eram teens, como se diz hoje. Tinha doze ou treze anos. As coleções eram formadas de trinta livros cada uma. A nata da produção daquele autor. Verdadeiras pérolas literárias.

         A primeira disse-me ter lido algum dos livros mas achou-o "muito chato", segundo suas próprias palavras. Já a outra, quinze anos após isso, disse-me que sequer leu um deles. Aí já nesses tempos de internet imperiosa. Que mostra de tudo. Mas que as piores mostragens são as mais concorridas pelos atuais jovens. É de se levar em conta.

         Felizmente não carrego nenhum tipo de sensação ruim por não ter me tornado um escritor dito profissional. Tenho até um certo regozijo por aproximar-me de um número de cerca de três mil textos nos blogs que possuo. É para satisfazer-me egocentricamente, sim. E isso já basta.

         

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